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Sei que faz tempo que eu não atualizo o blog.

Mas me faltam tantas coisas, dentre elas, capacidade de escrever. Me perdoem!

E, já que estou em tempos de aniversário, repito um texto que fala do meu nascimento.

Quem quiser, que invente outro!

 

ABRA SUAS ASAS 

 

Sou ansioso sim. Talvez por isso, tenha nascido de 7 meses. Não aguentava mais aquela cordinha me segurando dentro da minha mãe.
Me sentia sufocado. Berrava, mas ninguém ouvia. Chutava tudo, agoniado, e as pessoas diziam “olha, que lindo!”.
Isso me revoltava!

Até que, finalmente, chegou o dia. Não era o certo, mas eu não podia ficar mais nenhum minuto sufocado lá dentro.

Peguei o cordão umbilical e comecei a morder. A falta do meus dentes fizeram com que eu não incomodasse tanto. Hoje, mordo muito melhor.
Mas não queiram conferir.
 
Minha mãe começou a sentir as contrações que eu, tão pequenino e indefeso, porém, colossalmente furioso, causava.

Correu para o hospital e começou todo o processo. Um mediano corte na barriga foi o suficiente para que uma fresta de luz entrasse e, como um holofote após um black out, me cegou.

 

Comecei a ouvir um som que ia aumentando a medida que me puxavam.

Eram As Frenéticas cantando seu auge: Dancing Days.

É, eu nasci ao som de Dancing Days. Diziam que era uma espécie de terapia colocar som na sala de parto, mas foi tocar justo Dancing Days na hora do meu nascimento. 

 

Por quê não alguma sinfonia de Beethoven? Quem sabe um tango, uma moda de viola... mas não, eram As Frenéticas no show de abertura da minha vida. Melhor, impossível!

Abri minhas asas, soltei minhas feras e a cidade ouviu meu choro de tenor, tentando uns vocalizes na música. Meu coro para as Frenéticas, talvez tenha sido a coisa mais precoce dos anos 70.

 

Aproveitei o canhão de luz que me guiava no palco em que eu nasci, para meu início de glória.

Agora, vinte e poucos anos depois daquele final de década, ouço a música com uma nostalgia diferente do que para os outros ouvidos.

Para mim a vida é uma grande festa. Alguns momentos tristes surgem, mas logo se vão, eu sei. Passam rápido, como a vida.

Faz 26 anos que eu estou em cartaz, com casa lotada sempre.

 

E hoje “danço bem, danço mal, danço sem parar. Danço até sem saber dançar.”

 

"NA NOSSA FESTA VALE TUDO"



- Postadzinho por: DS às 14h51
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