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EIS PAPEL E CANETA

 

Nos perguntamos como alguns seres humanos têm tanta facilidade com coisas.

Acredito que não seja somente dom. O talento das pessoas deve vir acompanhado da sorte e da vocação.

Para alguns iluminados, também da evocação.

Cito como exemplo os escritores.

 

Me questiono como pessoas comuns que têm mãos, como eu, cérebro, como eu, unhas com cutículas, como eu e até coceiras... também como eu, conseguem se expressar com as palavras de forma tão magistral e fácil, como quando uma baiana esfrega vatapá num acarajé?

 

O quê Edgar Allan Poe, Chico Buarque, Clarice Lispector,  George Orwell, e tantos outros, têm que eu não tenho?

Minha apreciada e preciosa ignorância me permite suspeitar de pactos com energias sobrenaturais, feitas por essa gente.

Porque, depois de ler “O Retrato Oval”, “Budapeste”, “A Maçã no Escuro” e “1984”, desses magníficos citados, eu realmente desconfio que se trata de evocações.

Creio que por simples constrangimento eles nunca admitiram isso. Talvez pegasse mal essa verdade.

 

Vocês podem até se arriscar a defendê-los com os melhores argumentos, dizendo que eram letrados, leram, estudaram para isso. Que buscaram sua glória...

Mas a questão é que Gentileza não teve esse acesso todo e sua vasta e rica obra está lá, estampada nas paredes cariocas, nos passando seus escritos de sentimentos sobre-humanos.

 

Para os médiuns isso seria mais fácil, não é? Acredito que Chico Xavier teve menos trabalho, sendo co-autor de tantos sucessos populares.

E de mim, o que será, se não me vêm à cabeça textos que, pra essa gente, escoa como sangue de uma hemorragia?

Nem um espírito de luz pra arriscar uma parceria? Hein?

Após esses desabafo-dor-de-cotovelo, beberei mais uma dose e me sentarei ao sofá para ler um escrito de Drummond, que, mesmo sendo da mesma raça desses admiráveis seres, está mais acessível.

 

Sei que se eu precisar, ele estará lá, me esperando sentado em algum banco de Copacabana para um desabafo, um atormentado papo-cabeça, mesmo que eu não tenha nada nela, apenas paz e natureza.

 

EIS UM ESCRITO PRAS ESTRELAS

 



- Postadzinho por: DS às 15h29
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ENFIM... NÃO MAIS QUE ENFIM... VOLTEI! ==> http://sangioy.fotoblog.uol.com.br <==

QUANDO A LUA APARECEU, NINGUÉM SONHAVA MAIS DO QUE EU

 

Ontem à noite olhei para o céu e me senti parte dele.

É que, na verdade, quando eu vi a Lua, me achei tão semelhante a ela. E desta vez, não pelas já inexistentes crateras em meu rosto, causadas pelas saudosas espinhas pubescentes, mas sim porque a Lua me disse algo.

 

Com apenas um simples olhar, eu entendi seu depoimento.

Pude enxergar em seus olhos a amargura vencida, o orgulho por ter percebido que a solidão, assim como a ficção e algumas fixações, são pura ilusão.

 

Por ser grande e luminosa, a Lua não via ao seu redor outros brilhos que também a iluminavam. Eram as estrelas e os cometas, esses efêmeros que passavam por sua vida e que lhe davam muita alegria.

 

Assim, ela me abriu os olhos para que eu esquecesse que haviam buracos negros que nos engolem e, depois de nos mastigar compulsivamente, nos cospem deformados, como um chiclete quando finda o doce.

 

O tempo todo ela estava ali, no céu, me vigiando, esperando a hora certa para me chamar a atenção e dizer tudo isso.

Bastou um simples olhar para eu entender que, como a Lua, eu também passo por fases. Que eu sou um astro!

 

Agora vivo à espera de novos seres iluminados que me deixarão mais brilhante ainda do que posso me sentir.

Alguns já apareceram. Outros virão repentinamente, da mesma forma que irão, mas que, como os cometas, deixarão suas marcas no meu céu.

 

Hoje, vivo em lua-de-mel comigo. Espalho meu luar, uso e abuso de minha luz própria. Hoje, sou cheio, minguante, crescente. Hoje, sou novo, sou lunático, sou o satélite natural do meu próprio planeta. Hoje, principio em meu mundo da lua.

 

“QUAL É MORAL? QUAL VAI SER O FINAL DESSA HISTÓRIA?”

 



- Postadzinho por: DS às 17h44
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